sexta-feira, julho 18, 2008

A descoberta do amor.

“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.”

Clarice Lispector.
"O futuro pesa toneladas em cima de mim."
Clarice Lispector

domingo, abril 01, 2007

É, né...

"Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer? Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma outra alegria além de ti. Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar. Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara."

Caio Fernando Abreu.

domingo, março 25, 2007

eu hoje acordei sem vontade alguma de ver o mundo e muito menos de tocar nos livros. parecia que havia uma imensa muralha entre mim e os livros, cadernos, fichas e afins. eu, sinceramente, estou preocupada comigo. ando muito sem coragem e saturada de algo que nem começou direito. e fico perplexa com as outras pessoas que estão com "todo o gás" e estão estudando para morrer.
eu odeio querer ser/fazer algo e não "poder". eu quero estudar mais, mas tem algo em mim que está me impedindo. eu quero ter mais tempo, mas parece que quanto mais preciso desse infeliz, mais ele corre! eu quero parar o mundo e refletir sem nenhuma buzina de carro ou toque de telefone. eu quero pôr juízo nas cabeças dos sem juízo.

sinceramente, às vezes me sinto como se não pertencesse a essa época. eu vejo muitos outros jovens da minha idade, ou um pouco mais velhos, com a cabeça no mundo da lua e não conseguem enxergar além do seu próprio nariz. com conceitos e condutas completamente diferentes das minhas, e isso faz com que eu tenha uma imagem de "mãe" ou "avó". eu só posso ser de outra época. eu fico olhando para as pessoas e fico impressionada com o egocentrismo delas. eu tenho medo do futuro ao saber que o futuro está nas mãos da geração que eu pertenço (infelizmente).

meu texto desandou pelo fato de eu estar escrevendo o que me vem imediatamente à mente.


"Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece...e morre-se, sem ao menos uma explicação. E o pior - vive-se, sem ao menos uma explicação."
Clarice Lispector.

sexta-feira, março 23, 2007

Well, maybe it's just because i didn't know you at all.

"This is our last goodbye
I hate to feel the love between us die
But it's over
Just hear this and then i'll go
You gave me more to live for
More than you'll ever know

This is our last embrace
Must I dream and always see your face
Why can't we overcome this wall?
Well, maybe it's just because i didn't know you at all. (...)"


Jeff Buckley - Last Goodbye

quarta-feira, março 21, 2007

Inacreditável.


eu ainda tou besta, nem adianta. só em ter o ingresso em minhas mãos eu já me sinto outra pessoa. e só em pensar que eu vou vê-lo bem de pertinho...! ai ai ai. o tão esperado, o tããããão esperado show. @.@


quarta-feira, março 14, 2007

"Tou relendo minha lida, minha alma, meus amores;
Tou revendo minha vida, minha luta, meus valores;
Refazendo minhas forças, minha fonte, meus favores. (...)"

Vander Lee - Meu Jardim.


eu tenho feito tudo isso com bastante freqüência.

terça-feira, março 13, 2007

O passado é hoje.

vivemos numa eterna inconstância, sempre em busca do novo, do atual e às vezes eu me pergunto onde diabos vamos chegar com isso? acho que estamos sempre em busca do perfeito, mas eu não acho que o "perfeito" se encontra lá (não que o perfeito exista, mas se caso existir não vai estar no novo), e sim, no antigo. pois como disse um filósofo, o qual não me recordo o nome, "nada se cria, tudo se transforma". é, podemos transformar algo "pra melhor", mas o que seria dessa busca sem o início? ou seja, o que seria "do melhor" se não houvesse "o pior"? nada. vivemos numa eterna dependência do que passou, incrível. quando conversamos, por exemplo, nos lembramos de fatos passados (não que eu ache isso ruim, de forma alguma, mas fico impressionada com a nossa eteeerna dependência). enfim, tudo que vivemos hoje é quase uma réplica do passado, sendo que "melhorado" (sim, o "melhorado" é entre aspas porque eu não sei se a nossa situação é melhor do que a de antigamente. tecnologicamente é óbvio que sim, mas humanamente é visível que não.). o passado é hoje.