Caio Fernando Abreu.
segunda-feira, junho 14, 2010
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. (…) Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia.
quarta-feira, junho 02, 2010
eu entro nesse barco, é só me pedir. nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou (…). eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia (…). mas você tem que remar também. eu desisto fácil, você sabe. e talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. eu te ensino a nadar, juro! mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a tôa, que vale a pena. que por você vale a pena. que por nós vale a pena. remar. re-amar. amar.
Caio Fernando Abreu.
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