domingo, dezembro 20, 2009

Nunca tinha experimentado o sofrimento de me decepcionar com alguém. Com alguém que você julgava ser realmente importante. É como você cair das nuvens mais altas no asfalto. É como você dar um pulo em uma piscina esperando que lá haja água, mas dá de cara com o azulejo. E quando isso acontece, o distanciamento é inevitável, mesmo que não seja definitivo.
Por um bom tempo, a presença e o jeito normal dessa pessoa com você como se nada tivesse acontecido te traz mal-estar, faz despertar um sentimento que oscila entre o desprezo e a indiferença. E o pior: essa pessoa te trata SUPERNORMAL, como se nada tivesse acontecido. Resultado: você se sente a pior pessoa do mundo por guardar rancor, mágoas... No fim, o peso da cruz despenca só sobre os seus ombros, enquanto os ombros da tal pessoa estão vazios.
Para resolver tudo, você quer perdoá-la, mas perdoá-la seria se render, seria humilhante, pois você se trairia. Se trairia pelo simples fato de você não se sentir preparada emocionalmente para perdoar, mas pensa em perdoar para ver se o peso da cruz diminui.
Por um lado, o peso poderá diminuir. Por outro, ele poderá aumentar exponencialmente. Arrisca?


(escrito em novembro de 2008)



"Apoiou-se, não, não se apoiou, não havia onde se apoiar, apenas pensou no apoio de alguma coisa sólida que não estava ali."

Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

O paradoxo do entendimento

Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana.

Clarice Lispector.

terça-feira, dezembro 08, 2009

"Entender é sempre limitado. As coisas não precisam mais fazer sentido. Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. Porque no fundo a gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro."


Clarice Lispector.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

"A escolha foi tua. Tem um preço: este."