domingo, dezembro 20, 2009

Nunca tinha experimentado o sofrimento de me decepcionar com alguém. Com alguém que você julgava ser realmente importante. É como você cair das nuvens mais altas no asfalto. É como você dar um pulo em uma piscina esperando que lá haja água, mas dá de cara com o azulejo. E quando isso acontece, o distanciamento é inevitável, mesmo que não seja definitivo.
Por um bom tempo, a presença e o jeito normal dessa pessoa com você como se nada tivesse acontecido te traz mal-estar, faz despertar um sentimento que oscila entre o desprezo e a indiferença. E o pior: essa pessoa te trata SUPERNORMAL, como se nada tivesse acontecido. Resultado: você se sente a pior pessoa do mundo por guardar rancor, mágoas... No fim, o peso da cruz despenca só sobre os seus ombros, enquanto os ombros da tal pessoa estão vazios.
Para resolver tudo, você quer perdoá-la, mas perdoá-la seria se render, seria humilhante, pois você se trairia. Se trairia pelo simples fato de você não se sentir preparada emocionalmente para perdoar, mas pensa em perdoar para ver se o peso da cruz diminui.
Por um lado, o peso poderá diminuir. Por outro, ele poderá aumentar exponencialmente. Arrisca?


(escrito em novembro de 2008)



"Apoiou-se, não, não se apoiou, não havia onde se apoiar, apenas pensou no apoio de alguma coisa sólida que não estava ali."

Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

O paradoxo do entendimento

Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana.

Clarice Lispector.

terça-feira, dezembro 08, 2009

"Entender é sempre limitado. As coisas não precisam mais fazer sentido. Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. Porque no fundo a gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro."


Clarice Lispector.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

"A escolha foi tua. Tem um preço: este."

quarta-feira, novembro 25, 2009

“Depois que vivo é que sei que vivi. Na hora o viver me escapa. Sou uma lembrança de mim mesma. Só depois de “morrer” é que vejo que vivi. Eu me escapo de mim mesma. Às vezes eu me apresso em acabar um episódio íntimo de vida, para poder captá-lo em recordações, e para, mais do que ter vivido, viver. Um viver que já se foi. Deglutido por mim e fazendo agora parte do meu sangue.”
Clarice Lispector.

sábado, novembro 21, 2009



"Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não em você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por quê?"


Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, novembro 16, 2009

...

“O cansaço de todas as ilusões e de tudo que há nas ilusões – a perda delas, a inutilidade de as ter, o antecansaço de ter que as ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim.”
Fernando Pessoa.

sábado, outubro 31, 2009

Doce (quase) novembro

“Sem pensar em nada, sem nenhuma amargura, nenhuma vaga saudade, rejeição, rancor ou melancolia. Nada por dentro e por fora além daquele quase-novembro, daquele sábado, daquele vento, daquele céu azul - daquela não-dor, afinal.”

Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Seven days to change your life

“Uma viagem bem longa, para bem longe daqui, talvez resolvesse, se é que há mesmo algo para ser resolvido. Mas talvez a solução esteja na paisagem interna, não na externa. Talvez eu possa modificar aquela sem modificar esta. O que eu queria era modificar a duas, de uma só vez. Queria ter o que ver, quando olhasse dentro ou fora de mim”

Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, outubro 16, 2009

"O mundo parece chato mas eu sei que não é. Sabe por que parece chato? Porque, sempre que a gente olha, o céu está em cima, nunca está embaixo, nunca está de lado. Eu sei que o mundo é redondo porque disseram, mas só ia parecer redondo se a gente olhasse e às vezes o céu estivesse lá embaixo."

Clarice Lispector.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Dias de luz

Pessoas queridas, boa comida, boa música e bons sorrisos. Mais um final de semana lindolindolindo, só que dessa vez o meu final de semana começou na quinta-feira. :)


"A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."
Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, outubro 07, 2009

"Só preciso de alguns abraços queridos, a companhia suave, bate-papos que me façam sorrir, algum nível de embriaguez(...)"

Caio Fernando Abreu.

domingo, outubro 04, 2009

E os abraços hão de ser milhões de abraços

"I feel fine and I feel good."
Frente! - Bizarre love triangle.

Final de semana lindolindolindo. Com direito a dormida até meio-dia, grama, brincadeira com criança, molinho, ursinho que faz barulho, palmier, show, pessoas queridas, felicidade, coxinha, maquiagem, toalha quadriculada, fila, socialização, everybody's changing, fotos, sorrisos, felicidade, tomate seco com queijo, areia, quedas marcantes, sushi, fofocas, yellow, guaraná do amazonas & doritos, felicidade, nostalgia, salada, passeio de carro, desenhos na areia, mortal kombat, club social, felicidade... :)

quarta-feira, setembro 30, 2009

Speed of sound

And yet I'm still holding tight to this dream of distant light
In that, somehow I'll survive but this night has been a long one
Waiting on a sun that just don't come.


Pearl Jam.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Apesar de

... Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. imagine. invente. sonhe. voe. Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores. Eu não estou fazendo nada de errado. Só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas.
Caio Fernando Abreu

segunda-feira, setembro 21, 2009

O que há

O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

Álvaro de Campos.

sábado, setembro 19, 2009

Cinderela




"Cinderela, Cinderela, noite e dia Cinderela. Faz a sopa, lava a louça, passa a roupa, pobre moça!"
:D

quinta-feira, setembro 17, 2009

To your love

"Please forgive me for my distance."

Fiona Apple.

terça-feira, setembro 15, 2009

Up


- Promete? De coração?

domingo, setembro 13, 2009

sábado, setembro 05, 2009




"Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim."

Clarice Lispector.

sexta-feira, setembro 04, 2009

"Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada."

Tati Bernardi.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Brainstorm

"Quando a cabeça não pensa o corpo padece. Mas quando a cabeça pensa demais será que nossa alma enriquece?"

Fernanda Mello.

quarta-feira, agosto 26, 2009


"... infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."
Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Vai passar

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para um nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécia de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga, mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca..."
Caio Fernando Abreu.
(de novo e de novo)

quinta-feira, agosto 20, 2009

(in)Conscientemente

"Inconscientemente, parecia querer buscar em autores, filmes e músicas, algum tipo de consolo. Como se alguém precisasse chegar bem perto do sofá, onde estava, colocar uma das mãos em seu ombro e dizer que aquilo era normal. Que acontecia também com outras pessoas. E que iria passar."
Caio Fernando Abreu.
(de novo)

domingo, agosto 16, 2009

Que seja doce!

"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, esse sol bate na minha cara do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante."

Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Flor da pele

Ando tão à flor da pele que meu desejo se confunde com a vontade de não ser.

Zeca Baleiro.

quinta-feira, agosto 13, 2009

"... Faça menos, e verá mesmo que às vezes a gente pensou que o mundo rodava porque estávamos rodando uma manivela. Como estou meio cansada de "fazer força" e de empurrar, entendo bem você. Felizmente as coisas não dependem assim de nós. Estou cansada de me preocupar... Também queria tirar férias de preocupações."


Clarice Lispector.




Clarice escrevendo por mim.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Ao que vai nascer

"Um dia te encontro no meio da sala ou da rua... Não sei o que vou contar."

Milton Nascimento.

segunda-feira, agosto 10, 2009

(falta de)Sentido

Sabe quando nada faz sentido? Você procura sentido em tudo o que acontece a sua volta e dentro de você, mas nada se encaixa, como deveria se encaixar. Aquele texto de Clarice que diz: "De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser." não me serve em alguns momentos. Às vezes procuro, cato, olho debaixo do tapete, procuro entre as tralhas, entre os livros com cheiro de mofo... e não, não acho sentido algum. Queria me satisfazer em ser e fim. Ser e não entender porque sou.


"All I have to do is think in me and I have peace of mind.
(...)
I don't wanna be anything other than me."

sábado, agosto 08, 2009

sexta-feira, agosto 07, 2009

In repair

Oh, but if I take my heart's advice
I should assume, it's still unsteady
I'm in repair.
John Mayer.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Sem palavras

" Penso, tento achar palavras pro meu sentimento."
obs.: as músicas, ultimamente, estão sabendo falar mais sobre mim do que eu mesma.

sábado, agosto 01, 2009

Smilin'

Hey little girl keep on smiling!
'Cause they don't want to hear you complaining
You're lucky girl
Your life's so exciting
So I'll keep on making bad jokes
'Cause you think I'm strong
& it might be the way you like it
Oh how I need you to like me...
Please now just count on me
I can't handle it anymore
& don't ask me why
If you don't want me to lie
But don't be alarmed
Don't you see that i'm just down
Just don't worry soon
I'll be back on the tracks
Smiling!
'Cause I'll get tired of complaining
I'm a lucky girl
& I'm doing exactly what I wanted
So I'll keep on making bad jokes
'Cause I need to be strong
It might be my only chance to get out of it
& now I really need to make it!
Pascale Picard.

segunda-feira, julho 13, 2009

Sorry or please?

"Your increasingly long embraces
Are they saying sorry or please?
I don't know what's happening, help me
I don't normally beg for assistance
I rely on my own eyes to see
But right now they make no sense to me
Right now you make no sense to me."

Kings Of Convenience.

sábado, julho 11, 2009

Faz-de-conta

"...faz de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora, mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado."

terça-feira, junho 30, 2009

Outras frequências

"Mas nós vibramos em outra frequência,
sabemos que não é bem assim.
Se fosse fácil achar o caminho das pedras,
tantas pedras no caminho não seria ruim."
Engenheiros do Hawaii.

terça-feira, junho 02, 2009

segunda-feira, junho 01, 2009

Domingo

Acorda, olha o dia e já sabe: é domingo. Liga para os amigos, chama-os pra sair, pra fazer algo 'diferente', mas nunca dá em nada: é domingo. Almoça com a família, conversas paralelas, conversas interligadas. Liga a TV e medita: por que a programação da televisão no domingo é tão ruim? Desliga a TV e pensa: vou pôr os atrasados em dia. Mas é domingo. Domingo é um dia preguiçoso. Rende-se à TV. Lamenta por isso, mas continua com ela ligada.
O dia se tornou noite e, de fato, foi um domingo.

sexta-feira, maio 22, 2009

"Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito."

quarta-feira, maio 20, 2009

Alegria, alegria

E que eu não esqueça, nessa minha fina luta travada, que o mais difícil de se entender é a alegria. Que eu não esqueça que a subida mais escarpada e mais à mercê do ventos, é sorrir de alegria. E que por isso e aquilo é que menos tem cabido em mim: a delicadeza infinita da alegria. Pois quando me demoro demais nela e procuro me apoderar de sua levíssima vastidão, lágrimas de cansaço me vêm aos olhos: sou fraca diante da beleza do que existe e do que vai existir.

Clarice Lispector.

domingo, maio 17, 2009

Tudo bem?

- Olá...
- Olá! Como você está?
- Bem, nesses últimos dias tenho tido conflitos internos bastante atormentadores. Passo horas parada pensando sobre a vida, sobre o que tem me atormentado, sobre as últimas ações que tenho exercido, sobre o que escolhi... mas nunca acho uma solução sensata para tentar melhorar o que estou passando. Não consigo mais prestar atenção em nada e em nada acho graça. Acho que deixei de viver. Estou apenas respirando, apenas sobrevivendo.
E você? Como está?
- Eu estou ótima também!


sábado, maio 16, 2009

O Ovo Apunhalado

A vida era muito dura. Não chegávamos a passar fome ou frio ou nenhuma dessas coisas. Mas era dura porque era sem cor, sem ritmo e também sem forma. Os dias passavam, passavam e passavam, alcançavam as semanas, dobravam as quinzenas, atingiam os meses, acumulavam-se em anos, amontoavam-se em décadas - e nada acontecia. Tinha a impressão de viver dentro de uma enorme e vazia bola de gás, em constante rotação.

Caio Fernando Abreu - Réquiem por um Fugitivo.

quinta-feira, maio 07, 2009

Go slowly

I've been waiting patient
patiently
I didn't notice
but now I can see
that there's a way out
that there's a way out
that there's a way out

segunda-feira, maio 04, 2009

Optimistic




if you try the best you can
if you try the best you can
the best you can is good enough

sexta-feira, maio 01, 2009

Gravata

"Então, admitiu o medo. E admitindo o medo permitia-se uma grande liberdade: sim, podia fazer qualquer coisa, o próximo gesto teria o medo dentro dele e portanto seria um gesto inseguro, não precisava temer, pois antes de fazê-lo já se sabia temendo-o, já se sabia perdendo-se dentro dele - finalmente, podia partir para qualquer coisa, porque de qualquer maneira estaria perdido dentro dela. "

Caio Fernando Abreu.

Amor amável

Ando me indagando esses dias sobre: é possível amar o amor? O amor é amável?
Já ouvi pessoas falarem que amam outras pessoas, amam um objeto, amam um animal, amam de uma forma espiritualizada... Enfim, amam tudo, porém nunca ouvi alguém falar que ama o amor. Acho que intrisecamente todos amam o amor e não se dão conta disso, pois em diversas ocasiões nós amamos estar amando e, com isso, acabamos amando o amor indiretamente.
O amor é puro, ingênuo e me lembra muito a infância, pois, se você notar, as crianças têm todos os adjetivos que qualificam o amor, além de elas terem o amor dentro de si mesmos. Acredito que quando crescemos o amor vai esvairindo-se, disseminando-se através dos anos...

quinta-feira, abril 23, 2009

Quase alegre como quem se cansa de estar triste

Ter duas opções nem sempre é melhor. A dúvida atormenta tanto e tanto que ter uma opção só se torna algo bom. Se der para ter os dois, ótimo. Mas escolher entre uma delas, sendo as duas opções boas, é uma tarefa árdua.Acho que fiz minha escolha. Não sei se vou me arrepender, mas me sinto melhor. A dúvida estava me atormentando tanto, que era transparente a aflição em meus olhos. Pessoas que passaram a me conhecer agora estão tendo uma impressão totalmente errônea sobre mim. Chegaram a me dizer: "Poxa, tu é tão triste". Gente, aquilo penetrou em mim de uma forma inexplicável. Tocou-me bem no centro vital da minha emoção. Era a primeira vez que me diziam aquilo. Sempre ouvi o oposto do que essa pessoa me disse. Deu-me vontade de sair de lá e ir chorar em qualquer lugar onde eu ficasse completamente longe de qualquer pessoa que fosse. Eu estava extremamente confusa sobre qual profissão seguir, e toda aquela confusão estava transparecendo tristeza para aqueles que não me conheciam tão bem. Eu estava num conflito interior sem fim. Muitos dizem: "Ah, você está reclamando de barriga cheia... Passou em duas boas faculdades e tem a opção de escolher entre uma delas, quer algo melhor?". Poxa, foram cursos completamente diferentes, mas que me atraíam de alguma forma. Sem contar que a pressão externa de pessoas falando o tempo todo o que você deve fazer lhe deixa cada vez mais perdida. Eu não sabia se o que eu tava escolhendo era por minha causa ou por causa dos outros. Eu não consigo separar os meus desejos dos desejos que os outros têm em relação a mim.Bem, tentei explicar o motivo da minha aparente tristeza para a pessoa que me disse que eu era triste (afinal, tristeza não é a palavra certa... não sei se tem uma palavra certa para o que eu sentia, mas acho que o mais apropriado era dizer que eu estava confusa). Bem, expliquei por cima o que estava me atormentando... Não sei se fui compreendida, porque para os outros a minha escolha era simples e fácil. Agora estou trilhando apenas um caminho. O outro está lá na espera. E estou bem melhor agora. Pelo menos acho que não transpareço mais tristeza pra ninguém. Acho que estou começando a transparecer o meu eu verdadeiro.
Espero que tenha trilhado o caminho certo.

quarta-feira, abril 22, 2009

Leite Derramado

"A memória é deveras um pandemônio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas. Não pode é alguém de fora se intrometer, como a empregada que remove a papelada para espanar o escritório. "

Chico Buarque.

terça-feira, abril 21, 2009

"- Qual a sua definição de loucura? - Quem pode defini-la? Classicamente loucura é toda desagregação duradoura da personalidade que foge aos parâmetros da realidade. Mas quais são esses parâmetros? São psicóticas as pessoas que se sentem perseguidas por personagens criados em seu imaginário. Mas as pessoas que perseguem personagens reais, como generais que deflagram guerras, soldados que torturam, policiais que matam, políticos que controlam, o que são? São psicóticas as pessoas que têm delírios de grandeza, que acham que são Jesus Cristo, Napoleão, Buda. Mas e os mortais que se sentem deuses pelo dinheiro e poder que possuem, que não se importam com a dor dos outros, são o quê? Para mim há uma loucura racional aceita pela sociedade e uma loucura irracional condenada por ela."

O Futuro da Humanidade - Augusto Cury

segunda-feira, março 23, 2009

Todo carnaval tem seu fim.

quem disser que não gosta de carnaval é porque nunca foi ao Recife Antigo nessa época. tem algo melhor do que ter vários dias seguidos com shows bons e de graça? além de você esbarrar com pessoas que você não encontra há anos e conhecer pessoas novas (principalmente estrangeiros! :D).
bem, eu que adoro carnaval (pelo menos o daqui), gostei bastante do meu carnaval desse ano. foi bem proveitoso, diria. seis dias de plena folga! pernas para o ar de dia e pernas superdispostas no final da tarde e se prolongando até meados do raiar do sol do dia seguinte.
na sexta, Caetano deu o ar de sua graça. apenas o ar mesmo. cantou espremidas quatro músicas, com um maracatu meio desconectado a ele de fundo. e antes dele estava Vitor Araújo dando um pouco de Jamie Cullum no palco, subindo no piano e etc.
no sábado a história foi outra. Eugene, cantor de Gogol Bordello, mostrou que ele REALMENTE sabe dar um show, provocando um frenesi contagiante. e para completar, a chuva torrencial ajudou a refrescar, pra não dizer encharcar, lembrando-nos um pouco do show de Móveis Coloniais de Acaju no carnaval de 2008.
no domingo, houve uma mistura de ritmos. começando por Vitor Araújo que recitou, entre músicas cheias sentimento, um poema maravilhoso do querido Manuel Bandeira, Pneumotórax. depois houve o show de Mundo Livre S/A, com participação especial de Eugene (vocalista de Gogol Bordello) e Manu Chao. minutos depois, Lenine, para não mudar a rotina, deu seu show no Carnaval. e para terminar a noite, houve o show de Nação Zumbi, intercalado por canções de Siba e a Fuloresta, mas ainda assim com bastante entusiasmo e empolgação.
na segunda, tive o prazer de ver o show de uma banda venezuelana que não conhecia e gostei bastante: Desorden Público. uma banda com metais bem tentadores e interessantes. fora isso, Maria Rita, a estreante mais falada no Carnaval recifense, deu um belo show, parecendo bastante entusiasmada no palco.
na terça, para fechar o carnaval (pelo menos para mim), houve o show de Cordel do Fogo Encantado, banda que leva a cultura em seu sangue, pulsando com bastante intensidade. o pólo mangue (festival Recbeat) pareceu pequeno diante do caloroso público que foi prestigiar suas músicas. além disso, houve a participação especial do vocalista de Devotos, Canibal, na música A Matadeira. e devido ao medo que meu amigo pôs em minha cabeça, tive que assistir o show pelo telão. -.-
a quarta foi o dia de repor as energias gastas nos últimos cinco dias de foliã. foi o dia de passar a manhã e a tarde na cama. e à noite um jantar na Pin-Up, para fechar o carnaval com chave de ouro com o amigo que me acompanhou em todos os dias de folia!
quem não foi, perdeu. mas Carnaval tem todo ano, né?! ;D hahahahaha!