domingo, dezembro 20, 2009

Nunca tinha experimentado o sofrimento de me decepcionar com alguém. Com alguém que você julgava ser realmente importante. É como você cair das nuvens mais altas no asfalto. É como você dar um pulo em uma piscina esperando que lá haja água, mas dá de cara com o azulejo. E quando isso acontece, o distanciamento é inevitável, mesmo que não seja definitivo.
Por um bom tempo, a presença e o jeito normal dessa pessoa com você como se nada tivesse acontecido te traz mal-estar, faz despertar um sentimento que oscila entre o desprezo e a indiferença. E o pior: essa pessoa te trata SUPERNORMAL, como se nada tivesse acontecido. Resultado: você se sente a pior pessoa do mundo por guardar rancor, mágoas... No fim, o peso da cruz despenca só sobre os seus ombros, enquanto os ombros da tal pessoa estão vazios.
Para resolver tudo, você quer perdoá-la, mas perdoá-la seria se render, seria humilhante, pois você se trairia. Se trairia pelo simples fato de você não se sentir preparada emocionalmente para perdoar, mas pensa em perdoar para ver se o peso da cruz diminui.
Por um lado, o peso poderá diminuir. Por outro, ele poderá aumentar exponencialmente. Arrisca?


(escrito em novembro de 2008)



"Apoiou-se, não, não se apoiou, não havia onde se apoiar, apenas pensou no apoio de alguma coisa sólida que não estava ali."

Caio Fernando Abreu.

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