pausa no meu trabalho de história.
nesses dias minha cabeça tem girado bastante. sim, bastante mesmo. e um comercial me fez pensar sobre um monte de coisas. o comercial dizia algo semelhante a isso: "Lembra que a sua geração queria mudar o mundo? (mostra cenas de enchentes) Parabéns! Vocês conseguiram." . muita gente pode tê-lo visto e achado um simples comercial, mas ele me deixou perplexa por alguns minutos (sem hipérboles, juro). foi uma baita lição de moral, convenhamos. e realmente estávamos precisando de algo assim, mas o pior é que muitas pessoas não chegarão a assistir a este comercial, ou então, quando assistirem, voltaram a jantar ou almoçar como se nada estivesse acontecendo.
enfim, essa propaganda me fez pensar sobre eu não saber o que irei fazer da vida futuramente (em que vou me formar). porque se eu nem ao menos sei o que vou fazer da vida, como posso ajudar? vou ajudar sendo mais uma "não-formada"? mais uma desempregada?
só que o meu pensamento veio de trás pra frente (porque ir de frente pra trás é mais complicado, já que a 'frente' é o futuro mais próximo) e decidi que o que eu desejo, quando tiver aposentada, é ser dona de uma biblioteca, de um sebo ou de uma editora (pra tentar baratear os preços dos livros, pois o encarecimento de tais só desfavorecem a leitura). e sim! sobre o que eu vou fazer da vida antes de aposentar? eu sinto dizer isso... mas eu continuo sem saber.
volta ao trabalho de história.
quarta-feira, março 07, 2007
terça-feira, março 06, 2007
John Mayer.
"We should take a ride tonight around the town
And look around at all the beautiful houses
Something in the way that blue lights
On a black night can make you feel more
Everybody, it seems to me, just wants to be
Just like you and me."
St. Patrick's Day.
obs.: eu não queria fazer isso de um diário virtual, mas preciso "descarregar" algo que eu nem sei direito o que é e estou me segurando para não escrever aqui.
And look around at all the beautiful houses
Something in the way that blue lights
On a black night can make you feel more
Everybody, it seems to me, just wants to be
Just like you and me."
St. Patrick's Day.
obs.: eu não queria fazer isso de um diário virtual, mas preciso "descarregar" algo que eu nem sei direito o que é e estou me segurando para não escrever aqui.
segunda-feira, março 05, 2007
"Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!"
Machado de Assis - Um apólogo.
obs.: Machado sempre me atraiu por escrever bem, mas esse texto tem uma beleza extrema, além de ter uma ótima lição.
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!"
Machado de Assis - Um apólogo.
obs.: Machado sempre me atraiu por escrever bem, mas esse texto tem uma beleza extrema, além de ter uma ótima lição.
Tentativa de melhorar pedagogicamente.
definitivamente desisto de tentar ser uma "boa aluna". simplesmente nem os objetos da casa, nem meus pais estão ajudando. um dia desses, mesmo, estava eu lendo tranqüila e calma Memórias Póstumas de Brás Cubas do tão famoso gênio Machado de Assis e minha mãe vai comentar com o meu pai: aposto que Gabriela terá prova, teste ou trabalho amanhã. e meu pai sem entender pergunta o porquê dela achar isso, e ela simplesmente responde: ela está lendo o livro do colégio! e eu, me roendo, vou perto deles e digo: não, não tenho prova, teste, trabalho ou o que quer que seja que tenha a ver com esse livro amanhã! e sabe da melhor? ela não acredita e meu pai, sem dar muita importância ao assunto em pauta, fica calado. enfim, fiquei extremamente indignada.
e hoje, pra melhorar, lá vou eu assistir ao filme Cruzada, para um relatório que preciso entregar quinta-feira desta semana, e DO NADA o meu dvd começa a falhar e agora fica travando direto (o que me impede de assistir ao filme). só sei que: sem filme não há trabalho, perco um ponto e ainda perco uma questão da prova por não ter visto o filme, visto que ele o colocará na prova. uma frustração só.
e hoje, pra melhorar, lá vou eu assistir ao filme Cruzada, para um relatório que preciso entregar quinta-feira desta semana, e DO NADA o meu dvd começa a falhar e agora fica travando direto (o que me impede de assistir ao filme). só sei que: sem filme não há trabalho, perco um ponto e ainda perco uma questão da prova por não ter visto o filme, visto que ele o colocará na prova. uma frustração só.
sábado, março 03, 2007
O "essencial".
"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável.(...) Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, se sem sequer precisar me procurar."
Clarice Lispector.
Clarice Lispector.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
sábado, fevereiro 17, 2007
e o tão esperado carnaval chegou. as pessoas ficam bem mais felizes e tudo parece 'parar' quando o Galo da Madrugada sai nas ruas. mas a melhor parte mesmo são os shows que acontecem no Recife Antigo... ano passado mesmo foi super legal. :)
ai, só em pensar que só quinta-feira eu volto às aulas me dá uma felicidade... :D
ai, só em pensar que só quinta-feira eu volto às aulas me dá uma felicidade... :D
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